A construção de um caminho coletivo para a sustentabilidade

Construção Cooperativa

Tudo no mundo, tem seu início. E iniciar é um ato intenso, que rompe as barreiras do já estabelecido, para dar espaço ao novo, assim como uma planta rompe a terra para brotar ou como um ser, após a longa espera da gestação, transpõe os limites do próprio corpo para existir no mundo.

Estamos, gerindo nossos sonhos, fazendo-os nascer.

Sempre ouvimos os atores do grupo Pombas Urbanas dizerem de forma bem humorada, que como nunca ninguém avisou que era impossível tamanha empreitada do Centro Cultural Arte em Construção, eles o fizeram. De certa forma, replicaram conosco esse “desconhecimento do impossível” e incentivaram nossa garra já latente de criar, sonhar e buscar os meios necessários para concretizar nossos planos. Após dez anos de aprendizados junto ao Instituto Pombas Urbanas, nos encontramos aqui, em meio aos preparativos para a abertura de uma cooperativa, que será gerida por nós, jovens artistas do Núcleo Teatral Filhos da Dita, Grupo de Circo Teatro Palombar e a Cia Teatral Aos Quatro Ventos. Somos atores e atrizes, periféricos que escolheram o Teatro e o Circo como forma de existir (e resistir) no mundo.

“O coletivo…estar junto me deixa mais seguro…por que podemos identificar o potencial de cada um e utilizar isto para fortalecer as nossas ações”, diz Marcelo Orquiza (23), ator do Grupo Circo Teatro Palombar. Viver coletivamente é escolher o caminho reverso ao que está proposto pela atual sociedade. É uma escolha que considera os valores, a humanidade de cada um e se baseia no diálogo, no afeto para avançar.

Durante todo ano de 2014, nos dedicamos aos preparativos para a criação da personalidade jurídica que será inaugurada no próximo mês. Fizemos uma série de reuniões e estudos sobre cooperativismo, além de planejamentos financeiros e reflexões acerca da importância desta empreitada na vida de todos os envolvidos.

“Pra mim, o maior aprendizado foi em relação as leis, eu não estava ciente de tudo que precisava para formar uma cooperativa, aí, por conta de assumir a nossa empresa, tivemos que aprender rápido tudo isso, buscar parceiros, saber o que funciona dentro da lei, o que não funciona, quais as brechas que a gente tem, como a gente pode trabalhar com isso”, explica Marcelo.

“A gente sabe o que é, sabe pra que é, mas o fato de ainda não ter isso palpável, tipo:

-Eu sei que isso é redondo!.rs…gera uma preocupação, e o que me fortalece é saber que tem outras pessoas.”Claudio Pavão (26), ator Núcleo Teatral Filhos da Dita

A ação simboliza o início de um melhor compartilhamento de responsabilidades para que juntos, Cooperativa e Instituto, criem o aporte necessário para que todos possam fazer mais arte, semear mais asas e voar!